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#NiUnaMenos: A América Latina vai ser Feminista

Esse post vai ao ar hoje, dia 25 de outubro, dia onde estão acontecendo manifestações por toda a América Latina.  “Se liga, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista.”

Na verdade se encontrar nessa situação me deixa sem palavras. Não não foi comigo, nem com uma amiga ou minha mãe. Mas foi com uma mulher, uma jovem, que amanhã pode ser eu, uma amiga, ou a minha mãe. A menos que lutemos.

Ni Una Menos é um movimento de protesto criado na Argentina, e formalizado no dia 19 de outubro de 2016, os protestos se iniciaram devido a um infeliz fato.

Uma mulher, jovem, com nome, com rosto, com família, com sonhos, com uma vida, de apenas 16 anos foi sequestrada, drogada, estuprada, empalada, e morta cruelmente por dois rapazes, onde um deles acredita-se que tenha sido seu namorado.

Você pode dizer : “ah, mas ela deve ter feito alguma coisa”, “ah mas porque ela confiou em namorar com esse tipo de gente”, “ah mas ela deve ter feito alguma insinuação”.

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Estupro NUNCA é culpa da vítima. Você sabia que a cada 2 horas uma mulher é assassinada no Brasil? Você sabia que existem pais, parentes, que estupram suas próprias filhas desde criança?

Eu tenho certeza de que nada é motivo ou justifica um ato hediondo como esse.

Vivemos num momento da sociedade em que se ensina a mulher a não ser provocante, a não se insinuar, a não usar tal roupa depois de tal horário, a não frequentar certos lugares. Como se tudo isso servisse de motivo para justificar ser estuprada.

Não devíamos ensinar uma mulher a não ser estuprada, mas educar homens a não serem estupradores.

Eu só desejo que você não precise viver uma dor como essas que tantas mulheres sentem, pra poder se levantar e lutar. E hoje a luta é simples. Cada uma tem seu jeito de expor suas ideias, se você não quer levantar da cadeira, levanta desse comodismo ideológico, para e pensa, e compartilha, pesquisa, te informa, e divulga. Um dia alguém se levanta da cadeira graças a você.

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Gostaria de compartilhar com vocês um texto muito interessante por Karina Bidaseca:

“O corpo torturado de Lucía, entorpecido por drogas e bestialmente empalado foi um excesso impossível de simbolizar.

Neste regime de desapropriações, outros corpos têm outros trágicos destinos: as bolsas de polietileno jogadas nas lixeiras, os ossos no deserto no México, na Guatemala, os mamilos arrancadas, vaginas destruídas. todas as marcas sinistras em Buenaventura ou em Catatumbo colombiano, na Líbia, África do Sul, Índia…que pretendem instaurar um regime de terror e de exceção.

A impossibilidade de colocar em palavras aquilo que nos desumaniza e nos degrada, diante da implantação de tecnologias próprias de um patriarcado sexista e racista, que expõe a brutal exacerbação de um regime de “necropolítica” _em um cenário onde circulam livremente a droga e o capital_ as violências se tornam um meio de autogeração do “Capitalismo Gore”, tal qual o de definiu Sayek Valencia.

Como atos comunicativos entre fraternidades masculinas expressivas de uma “pedagogia da crueldade” _segundo a feminista descolonial Rita Segato_, ocorreram outros sete feminicídios em sete dias, justo ao fim do 31o Encontro Nacional de Mulheres, em Rosário, no qual mais de 90 mil mulheres de toda a Argentina se reuniaram para continuar a desenvolver as reinvidicações históricas das mulheres e do coletivo LGBTI – encontraram a violenta repressão por parte das forças de segurança do Estado.

A violência contra as mulheres se intensificam diante da escalada de um novo discurso que, apoiado pelas direitas latino-americanas, se unifica na região (no Brasil ou na Colômbia, nos argumentos pelo voto pelo “Não”), para enfrentar o que estes setores definem como a “ideologia de gênero”.

“No tempo histórico do gênero, nunca há paz. O gênero não distingue entre paz e guerra”, ressonam as palavras de Catharine A. MacKinnon em seu livro “Are Women Human? And other international dialogues”.

Hoje as mulheres e todxs paramos: “Se minha vida não importa, então produzam sem mim”. Faremos greve. Sairemos às ruas a gritar novamente como no 3 de junho de 2015 e em 2016. #NiUnaMenos#VivasNosQueremos E exigir ao Estado Patriarcal sua responsabilidade nos crimes contra todas as mulheres.”

*Karina Bidaseca (Coordenadora do Programa Sur-Sur, CLACSO e da rede de direitos humanos CONICET). Autora do livro “Escritos en los cuerpos racializados. Lenguas, memoria y genealogías (pos)coloniales del feminicidio”.

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